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Roubo de cargas: o impacto real na logística e como reduzir a exposição da sua operação

Foto do escritor: Nova Feabri Seguros
Nova Feabri Seguros
há 7 horas
5 min de leitura

Quando um caminhão é abordado numa rodovia, a perda visível é a mercadoria. Mas ela é a menor parte da conta. Entra o veículo, entram os dias de operação parados, entra a multa contratual por não entrega, entra o cliente que migrou para o concorrente, entra o motorista que voltou traumatizado, entra o prêmio de seguro que sobe na renovação seguinte e entra o frete que fica mais caro para toda a cadeia.

Neste conteúdo, você vai entender o tamanho atual do problema no Brasil, como o crime opera hoje, quais impactos ele produz além da perda física e principalmente o que uma operação pode fazer para reduzir a exposição.

O tamanho do problema

Os dados mais recentes trazem uma notícia boa e uma ressalva importante.

Segundo o levantamento anual da NTC&Logística, o Brasil registrou 8.570 ocorrências de roubo de cargas em 2025, uma redução de 16,7% em relação a 2024. É uma queda relevante, resultado de anos de articulação entre setor privado, forças de segurança e legisladores.

A ressalva é o valor. O prejuízo direto estimado ficou em torno de R$ 900 milhões, podendo ultrapassar R$ 1 bilhão quando se consideram os efeitos indiretos — aumento de custo operacional, encarecimento de seguros e impacto no preço final dos produtos.

A concentração geográfica também se mantém. São Paulo respondeu por 3.470 casos, reforçando a posição do estado como principal foco do problema no país.

Ou seja: menos ocorrências, prejuízo ainda bilionário. Isso indica que o crime está mais seletivo e mais eficiente, atacando menos vezes, mas acertando alvos de maior valor.

Como o crime opera hoje

O padrão de atuação é conhecido e vem se sofisticando.

A escolha do alvo é orientada por liquidez. As quadrilhas priorizam cargas de revenda rápida no mercado ilegal: alimentos, combustíveis, medicamentos e eletrônicos. Carga de alto valor unitário e difícil escoamento é menos visada do que carga de valor médio e giro imediato.

As abordagens acontecem em três padrões principais: interceptação de veículos em movimento, ataque durante a entrega (o momento de maior vulnerabilidade, com o veículo parado e o motorista fora da cabine) e ação em áreas urbanas e corredores logísticos estratégicos.

Há inteligência envolvida. Como aponta a própria NTC&Logística, as organizações criminosas atuam de forma estruturada, com planejamento e informação, o que exige do setor e das autoridades uma resposta igualmente integrada, apoiada em tecnologia e cooperação contínua.

Isso significa que vazamento de informação interna sobre rota, horário, conteúdo da carga é parte relevante do problema. Não é raro que a investigação de um roubo termine dentro da própria cadeia.

O que mudou na legislação

Um dos pontos centrais no combate ao roubo de cargas é enfrentar a receptação, que é o que sustenta economicamente o crime. Sem mercado comprador, não há incentivo para o roubo.

Nesse sentido, houve avanço com a sanção da Lei nº 15.358/2026, que institui o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, fortalecendo os mecanismos de investigação e punição das estruturas criminosas.

É um passo importante, mas o próprio setor reconhece que o cenário segue exigindo atenção permanente e ações estruturadas e integradas em todo o país. Legislação melhor não substitui gestão de risco na ponta.

Os impactos que não aparecem na nota fiscal

Custo Brasil. O roubo de cargas encarece o frete de toda a cadeia, porque o custo de segurança e de seguro é diluído no preço do serviço. No fim, quem paga é o consumidor.

Previsibilidade logística. Uma entrega perdida desorganiza planejamento de estoque, produção e atendimento. Em cadeias enxutas, o efeito se propaga rápido.

Relação contratual. Contratos de transporte costumam prever multa por não entrega e responsabilização por perda. Um sinistro pode custar mais em penalidade do que no valor da carga.

Reputação comercial. Embarcadores avaliam índice de sinistralidade dos transportadores. Um histórico ruim tira a empresa de cotações antes mesmo da discussão de preço.

Impacto humano. Motorista submetido a abordagem armada sofre consequências que vão além do evento. Afastamento, rotatividade e dificuldade de contratação são custos reais numa categoria que já enfrenta escassez de mão de obra.

Seguro. Sinistralidade alta se traduz em prêmio maior, franquia maior, exigências de gerenciamento de risco mais rígidas e, em casos extremos, recusa de aceitação.

Como reduzir a exposição

Não existe medida única. O que funciona é a combinação de camadas, porque cada camada isolada é contornável, e o conjunto não.

Gestão de risco antes da viagem

Cadastro e consulta de motoristas. Verificação de antecedentes, histórico profissional e checagem em bases especializadas. É a exigência mais básica das seguradoras e a que mais gente negligencia.

Análise de rota. Definir trajeto, pontos de parada autorizados, horários de circulação e áreas de restrição. Rodar de madrugada em determinados trechos é um risco que pode simplesmente ser evitado com replanejamento.

Plano de viagem formalizado. Com janela de tempo esperada e procedimento definido para desvio.

Compartimentação da informação. Nem todo mundo precisa saber o que vai no baú e por onde vai passar.

Tecnologia embarcada

•       Rastreamento com redundância de tecnologia (satelital e celular)

•       Telemetria com alerta de parada não programada, desvio de rota e abertura de baú

•       Iscas eletrônicas em cargas de maior liquidez

•       Travas eletrônicas e bloqueio remoto

•       Sensores de porta e de engate

•       Videomonitoramento em cabine

Operação e procedimento

•       Comboio ou escolta armada em trechos e cargas de risco elevado

•       Regra clara de que o motorista não reage e não negocia

•       Procedimento de emergência conhecido e treinado, não apenas escrito

•       Central de monitoramento 24 horas com protocolo de acionamento

•       Restrição de parada a locais homologados

•       Fracionamento de carga de alto valor em mais de um veículo

Cultura e gestão

•       Treinamento periódico de motoristas

•       Canal de denúncia interno

•       Auditoria de terceiros e agregados com o mesmo rigor aplicado à frota própria

•       Análise pós-ocorrência de todo evento, inclusive das tentativas frustradas.

O pacote de seguros do transporte

Um erro frequente é achar que "tem seguro" resolve. As coberturas do setor são específicas e complementares, e ter uma não significa ter a outra.

RCTR-C — Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga. Obrigatória por lei para o transportador. Cobre danos à carga decorrentes de acidentes durante o transporte — colisão, tombamento, incêndio, explosão. Não cobre roubo.

RCF-DC — Responsabilidade Civil Facultativa do Desaparecimento de Carga. É a cobertura que responde por roubo e furto de carga. Facultativa por lei, mas indispensável na prática, e normalmente condicionada ao cumprimento de um plano de gerenciamento de risco aprovado pela seguradora.

Seguro de Transporte Nacional (embarcador). Contratado pelo dono da carga, cobre a mercadoria durante o percurso independentemente da responsabilidade do transportador. Opera por averbação.

RCTA-C e demais coberturas modais. Para transporte aéreo e outras configurações específicas.

DSU — Danos Sofridos pelo Usuário. Relacionada a operações específicas de transporte.

Seguro do veículo e RC Geral. Para o ativo e para danos a terceiros.

O ponto crítico: as agravantes

Apólices de RCF-DC quase sempre trazem obrigações de gerenciamento de risco, rastreamento ativo, consulta prévia de motorista, escolta acima de determinado valor, restrição de horário, ponto de parada homologado. Descumprir essas condições no momento do sinistro pode significar negativa de indenização.

É por isso que ter apólice não basta. É preciso que a operação real corresponda ao que foi declarado à seguradora e revisar isso sempre que a operação mudar.

Checklist rápido

•       Sua apólice tem RCF-DC, ou você tem apenas o RCTR-C obrigatório?

•       O limite máximo de indenização por embarque cobre sua carga de maior valor?

•       As exigências de gerenciamento de risco da apólice estão sendo cumpridas na prática, hoje?

•       Motoristas agregados e terceiros passam pela mesma consulta cadastral da frota própria?

•       Existe protocolo de emergência treinado, ou só um documento arquivado?

•       Toda ocorrência, inclusive tentativa, é analisada e vira ajuste de processo?

Conte com a Nova Feabri

A Nova Feabri estrutura seguros para transporte e logística — RCTR-C, RCF-DC, seguros de transporte para embarcadores e coberturas complementares alinhando a apólice ao gerenciamento de risco que a operação realmente pratica, para que a indenização não seja questionada no pior momento.

Se a sua operação transporta carga e você não tem certeza do que está e do que não está coberto, fale com um dos nossos especialistas.

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